Diz-me se és o meu reflexo oh fonte vulgar
Diz-me onde esconder a arma que eu soube de enferrujar
Castro com castro edificas eu castro o gesto a que incitas
Estátua de orgulho gelada sobre esta água parada
O vento de amanhã quando soprar desagregará o tempo presente
A memória da batalha clássica foi-se a bandeira ser-me-à indiferente
Vim para devolver as cidades aos intoxicados da Terra
Será nos gabinetes que se ditará a nova guerra
Sempre que fui combater rastejei pelo chão
Onde nem a beladona cresce tocando o musgo com a mão
Descargado d'alma mas mantendo a calma
Dilacerado esforço em vão
O vento de amanhã esfuma os viciados do controle
O cheiro a carne assada humana será uma recordação
Nem mais um soldado anónimo dormirá neste caixão
Sonhando agorrante com o nome da sua batalha banal
GNR, 1986